14.2.12

sobre perdas

Acho mesmo que deveríamos nos alegrar com o que temos.Esse negócio de ter medo de perder algo não está com nada. Principalmente quando esse algo não é palpável, não é abraçável, nem beijável. Ele é simplesmente intocável. Porque ele não é seu, não é de outrem, nem de ninguém. Mas um dia será. E esse será é um futuro que não é subjuntivo e é mais do que imperfeito.Isso me faz lembrar que tenho que pular os dois degraus quebrados da escada lá de casa. Sempre tenho aquela fisgada na perna. Não pode ser a idade, já fiz até exames, deve ser pelo esforço.Ás vezes penso em usar a outra entrada, mas já entra tanta gente por ela que vou acabar acostumando e nunca vou consertar a escada. Pra mim, já virou um exercício: dois pulos grandes todos os dias. Outra coisa que tenho que fazer: parar de adiar as coisas. Se é uma visita, adio o dia. Se é uma consulta, altero a data.Vou parar logo de adiar essa dor e esse medo.Afinal se eu tenho tudo e perco aqui, eu ganho acolá. Mas e se eu não perder nada? Porque o medo de perder o que  não tem é isso, no ínício dá aquela fisgada na perna.Mas depois que isso vira um fato, dói o corpo inteiro. E como dói.

E vocês quando vierem visitar minha casa, podem usar a outra entrada se quiser.Mas indico o exercício- dois grandes pulos no dia te trazem uma dorzinha leve, mas te deixam com mais vigor para os outros dias.

Outro exercício que indico:agarrem as certezas de hoje, talvez, quem sabe... elas te carregarão amanhã.


ps: boas vindas aos novos seguidores

22.1.12

nuvens carregadas

Diz uma moça muito bonita que quando era jovem e morava no interior, tinha uma vizinha que muito pouco lhe agradava. A mesma não tinha costume de ter apatia assim, á torto e á direita, mas é que todos na rua tinham o mesmo sentimento. E que aliás, eram carregados de outros: solidão, preocupação e tristeza.Dona Desesperança mal sabia, enquanto andava cantarolando pelas ruas, que ela causava isso nas pessoas.Se orgulhava de ter muitos amigos, de ter ajudado várias mulheres, dizia que nasceu pra isso- estar presente na vida de outros, nunca deixando faltar algo de bom. Senhor Ilusão sempre alertava a todos contra essa má vizinhança, mas no fundo foram criados da mesma semente, então ninguém prestava atenção.E Dona D[como todos chamavam pelas suas costas], seguia sendo tão incoveniente quanto um cisco no olho . De tão abusada que era, entrava  de penetra até em festa de criança.
Infelizmente, toda essa insistência afetava profundamente os sonhos e pensamentos da moça bonita.Queria ela poder mudar de bairro, quem sabe de cidade.Mas era época de colheita e ela tinha que ajudar seus pais, que tinham as cabecinhas carregadas de algodão branco e a pele feito roupa mal passada. Com tanto interior nesse mundo, Dona D  tinha de se instalar justo ali? Mas ela não podia culpá-la por isso. Seu pai lhe dizia que como a Terra era redonda, ás vezes Dona D já tenha morado ali em algum tempo e que ela andou, andou e não conseguiu ir pra frente, somente girou e estacionou no mesmo lugar de antes. Achava também que ela não era essa "cigarra falante" e alegre de sempre, porque corria um boato que um dia um "vagalume" se encantou por seus dotes e quis namorá-la e que no fim de tudo, descobriu que sua vontade de viver não poderia ser desperdiçada com  tal pessoa.Talvez ele tenha descoberto algo de terrível sobre ela, dizia ele.Então ela passava suas tardes indo de casa em casa e pulava de galho em galho.Mas a moça sabia que não tinha muito o que fazer, a vida simplesmente iria dar jeito em muita coisa e que, quem sabe com o tempo, Dona D não achava uma casinha só pra ela em outra cidade, encontrasse outro pretendente que não tenha tanta vivacidade quanto o outro.E que por falar nisso, se esse tal de sr vagalume voltar pra cidade um dia, a moça bonita me confessou que uma da suas vontades não mudou e que não deixa esse danado escapar não.

tive um probleminha de formatação, mas ignorem a estética :D

apresentando uma de minhas paixões.

                                    




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