6.3.12

aguém, além de alguém

Em um casebre torto no Vale do Jequitibá, ajudei Maria a se olhar. Olhar além do que ela via no espelho.Dizia ela, que era só uma entre as muitas Marias espalhadas por aí e que não fazia muita diferença o que via. Pois para ela, o nome já dizia tudo. Percebi então que as Marias que ela conhecia não se enxergavam com muita clareza. Expliquei-lhe então que um nome era uma identidade e que todos tinham direito a ter uma, falei também que ao mesmo tempo, o nome não dizia o que a pessoa é.
- O que vês quando olha pra Maria Clara?
- Ah, mas eu vejo que ela é alta como eu e magra também. Só um tinquinho.
- E por dentro?
- Por dentro é uma doçura de menina, tão boazinha.
- E você é uma doçura de menina também?
- Não sei, ás vezes penso que não, mas tia Laura diz que sou a mais doce de todas
- Tá vendo? Então você não se parece com a outra Maria. Você pode ser mais e menos.
- Mas somos muito parecidas, crescemos juntas, moramos em uma casinha e temos vontades parecidas
- Podem ter, mas não são a mesma pessoa. Podem existir centenas de Marias como você e nenhuma delas é idêntica a você.Um dia você vai aprender a olhar além do que vê. É como uma formiga andando a nossa volta, geralmente não a percebemos- a não ser quando ela nos incomoda e vem em cima de nosso doce preferido- , mas ela está lá trabalhando e sendo feliz a sua maneira. Mas se você pegar uma lupa e colocar em cima dela, conseguirá ver detalhes que deixamos tristemente despercebidos.
- Então, se eu pegar uma lupa eu vou conseguir ver o que a tia Laura vê em mim?
- Mais ou menos isso, assim como você nem todos os Robertos, Carlos e  Paulas te verão da mesma maneira.Cada um tem um jeito de olhar pela lupa.


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